Texto originalmente escrito em 18/11/2012
Quando da eleição da miss Brasil/12 presenciou-se
muitas manifestações: de contentamento, pela escolhida ostentar uma preparação
condizente com aquilo que se deseja de uma miss-modelo e modelo-miss; e de
indignação, pelo fato de, aos olhos de alguns, ser a escolhida o "mais do mesmo".
Miss Brasil 2006 - nesse ano a mais competente no palco ficou em 2º lugar (1ª à direita na foto) - Conveniência I
Há aqueles que defendem a ideia de que as coordenações estaduais dão preferência ao mesmo “biotipo” (palavrinha tosca) – as morenas de
pele branca e por consequência, a nacional. Segundo alguns mais “estudados” isso ocorre porque “esse” é o
retrato do Brasil “lá fora” e o sucesso retumbante só virá pelos méritos de uma
morena-de-pele-branca-ou-clara; e mais, os estrangeiros só gostam de
brasileiros morenos-de-pele-branca e cabelos escuros, pois estes espécimes morenos são a
cara-do-Brasil. Eu vos digo: quanta ideia falaciosa; quanta bobagem sem medida;
quanto pensamento em movimento aceleradamente retardado.
Miss Brasil 2008 - nesse ano a mais competente no palco ficou em 3º lugar (3ª da esquerda pra direita na foto) - Conveniência II
Vencem as morenas-de-pele-clara-ou-branca,
simplesmente por que, coincidentemente, elas se apresentam mais preparadas ou em maior número. Se numa competição, um grupo se sobrepõe a outro em
determinado quesito, quantitativamente, é natural pensar que em termos
proporcionais esse grupo tenha maior viabilidade de sucesso. Mas, isso quer
dizer que é predominante? Jamais. Há vantagem-proporcional, jamais
vantagem-de-domínio.
Até mesmo em fóruns estrangeiros a ideia do
branco-de-pele-clara (ou seria moreno-de-pelo-branca?) é dominante. À bem da verdade, mormente para o miss
Universo, o tal biotipo tem se repetido – mas, insisto na coincidência da melhor
preparada. Claro, ressalvadas as exceções da conveniência macabra dos conchavos de bastidores. Não devemos ser tão ingênuos.
Michelly Bohnen, miss Santa Catarina 2011 - uma bela loura que não avançou no miss Universo Brasil 2011 por mostrar-se insegura no palco.

Para defender teorias falaciosas há que se condenar
também a Austrália, que parece mandar, a cada ano
uma-ninfeta-loira-saída-da-mesma-linhagem-ou-forma – e o que os “sábios” dizem
aqui? – “uau!!! Que lindas são as Australianas!!! (e haja exclamações!!!); Há
que se condenar o México, que a cada ano também manda o mesmo perfil
morena-de-pele-branca-saída-da-mesma-forma – e o que os “sábios” dizem aqui? –
“uau!!! Que lindas as mexicanas; que latina!!! (e haja exclamações!!!);
Personalidades brasileiras refletem as caras do Brasil.
A velha história do biotipo-brasileiro é de um
equívoco sem tamanho. Não há um tipo específico do nosso povo. Isso por conta
da tal diversidade étnica, queira “os sábios” ou não. Mulatas não têm a cara do
Brasil; loiras não têm a cara do Brasil; negras não têm a cara do Brasil;
amarelas não têm a cara do Brasil; índios não têm a cara do Brasil.
A cara do Brasil (se é que tem uma) é a cara de toda essa gente, e isso independe de cor. NÃO HÁ PADRÃO DE BELEZA BRASILEIRA. Há sim as belezas brasileiras as quais se ramificam por todas as origens possíveis.
A cara do Brasil (se é que tem uma) é a cara de toda essa gente, e isso independe de cor. NÃO HÁ PADRÃO DE BELEZA BRASILEIRA. Há sim as belezas brasileiras as quais se ramificam por todas as origens possíveis.

Deise Nunes, miss Brasil 86 e semifinalista no miss Universo foi (é) exemplo de competência e beleza.
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