Todos os dias, se olharmos atentamente havemos de perceber que o mundo não para.
Quem busca interação acompanhará o progresso; quem “não liga” para os novos adventos, gradativamente perderá
terreno, até sumir. Isso é perceptível em
todos os âmbitos que se busque analisar. No futebol, nos contos de fadas e até nos concursos de beleza, essa máxima
é retumbantemente verdadeira.
Vamos falar de futebol? E por que não? Nesses dias, respirando
Copa do Mundo, não bastasse ser de futebol, ter o Brasil como o País sede reflete um “up” a mais. Pertinente, por
sinal. É no futebol, especialmente nele que, não havendo evolução o resultado é a derrota.
Ainda embriagados pelo título da última
copa da Fifa em 2010, e
quase todos os títulos europeus nos últimos anos, a seleção espanhola esbaforiu presunção e favoritismo, mas bastou
entrar em campo com a costumeira tática, outrora vencedora, para tropeçar nos próprios calcanhares.
Resultado da estagnação: a desclassificação
prematura, ontológica, histórica e inacreditável da famosa La Roja após míseras duas partidas ainda na primeira fase da Copa
do Mundo 2014.
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18/06/2014 - o dia que o Touro RIU |
Foi-se a ex-primeira-dama do topo da lista da
Fifa.
E nos contos de fadas, hein? Como andariam a evolução naqueles mundos
fantásticos que, indistintamente, em maior ou menor proporção, já acalentaram os sonhos de todos os
semoventes pensantes da terra? Pois é! Até
os mundos-fantásticos precisaram de uma reinvenção estratégica para
atingir novos públicos. Público mais moderno, mais ativo, mais dinâmico. No
entanto, engana-se quem pensa que diante
das novas exigências da sociedade moderna os príncipes e as princesinhas-de-olhares-perdidos
caíram no esquecimento. Pelo contrário, as princesinhas, antes frágeis e
sonhadoras, a cada investida midiática
retratam as exigências da modernidade.
Vejamos: é Cinderela que não leva desaforo para casa, ou
melhor, para o fogão; é Rapunzel de
nariz empinado que enfrenta sem medo, a bruxa malvada; é João e Maria que viram caçadores de seus algozes; é Branca de Neve em
fronte de batalha; é príncipe que de tão
belo se parece (ou é) um Ogro; e por aí vão infinitas versões regadas a
ousadia e não menos fascinantes.
Os tempos são outros.
São?... Já no ambiente dos concursos de beleza
– não menos fictícios que aqueles dos contos – essa lufada de modernidade ainda não se fez notar de forma cristalina.
É bem verdade que há insurgentes que almejam arrancá-los daquele passado
remoto, e não raras vezes são tolhidos
pelo excesso de preservação dos ditames congelados através dos séculos. Não
é outro o motivo pelo qual ainda presenciamos misses e candidatas a misses
alegoricamente enfeadas, digo, enfeitadas
como uma donzelinha inocente do Séc. XVIII. Para a época, lindas; para os dias atuais, meros reflexos de
seus mentores.
Puxa vida, até os contos de fadas sofreram
uma necessária reciclagem! Alias, uma reciclagem constante. Mas, (sempre o mas) no universo-paralelo o
lema ainda é aquele do tradicionalismo exagerado. Culturas e tradições,
claro, são a identidade de um povo, não
ousemos negar isso. O danado é quando esse-povo junta e enfia tudo em um mesmo saco. E o saco dos concursos de
beleza não deveria ser o mesmo saco que
guarda a identidade social de cada tribo. Eles são apenas parte, por óbvio,
mas não podem permanecer estagnados, até
porque não têm o poder que tem os costumes e as tradições. Nesse contexto,
os concursos devem seguir a mesma
evolução porque passam o futebol e os continhos.
Hoje, apesar das lutas de alguns (poucos), a preservação do retrato da antiguidade
ainda reflete nossas candidatas, não só as brasileiras, mas especialmente elas, pois são as que nos interessam.
Contudo,
diante de tudo isso, com os exemplos
latentes da necessidade de evolução advindas, seja do futebol, das estórias
de contos de fadas ou de quaisquer outros “setores” que se analise havemos de admitir que há um pirilampo ao
final do túnel enegrecido. Expliquemos: o mundo-dos-contos baixou em terras-anis-tupiniquins
– a Enter/Band, finalmente percebeu o movimento e contratou a Fadahazz-Madrinha, cuja missão parece ser batutar todas
as candidatas com seu condão-mágico,
ainda que ausente o pó de pirlimpimpim.
De varinha mágica em punho, sempre em
riste, a Fadahazz-Madrinha (ou seria fado?) tem sobrevoado os céus de anil a conjurar novos ventos baforarem o palco do Miss
(Universo) Brasil. É louvável o esforço! O problema é que esqueceram de avisar a Fadahazz-Madrinha que as
varinhas mágicas caíram em desuso com a evolução
tecnológica e, a não ser na arcaica escola de Hogwarts, talvez em nenhum
outro lugar, nem mesmo na Terra-Média-de-Gandalf-e-Frodo se use mais esse apetrecho.
Como
batutas de maestros dizem ser essenciais, mas
há controvérsias.
De qualquer forma ainda é melhor usar a
varinha do Reuri Poter que o cabo-de-vassoura-preso-as-costas,
ideia “iluminada” de uma certa dama-da-etiqueta-e-do-turbante.
É isso
aí… dos males, o menor. E viva os contos
e as fadashazz-madrinhas, a derrota de La Roja e a força evolutiva pós-moderna nos
palcos do Brasil.
E haja pó de pirlimpimpim!...