Não diferente dos outros mundos, no
mundo-paralelo1 também predominam as chamadas “teorias da conspiração”. Todos os anos
pairam sobre os maiores concursos internacionais, e consequentemente, sobre as candidatas um certo preciosismo
regado às mais diversas certezas. O Brasil, ou as brasileiras,
especialmente a partir de 2011 vem sendo
o ponto focal em muitas teses. Fajutas, ainda assim teses.
Em 2011,
para muitos, a Organização do Miss
Universo escolhera o Brasil para sediar o evento por conveniência,
maquinada sorrateiramente nos mínimos detalhes. O Sr. Trump, o dono do
concurso, teria interesse em investir no
Brasil e por isso a canja de trazer o concurso às terras tupiniquins. Caso
fosse verdade não teria nada de errado em se querer aproveitar oportunidades
para obtenção de lucro, mas o detalhe
mais escabroso é que a Companhia do tal magnata fincara raízes no Rio de
Janeiro e a sede do evento Miss Universo, à época, foi São Paulo. Inconsolados,
os “conspiradores-videntes” ainda
previram que o título ficaria, finalmente, com a brasileira Priscila Machado
(apesar das polêmicas fotos), pois além de todos os interesses vigentes seria
um trunfo inominado para o Miss Universe Organization
ter uma Miss Universo brasileira,
mormente quando se aproximavam eventos da magnitude da Copa do Mundo da
Fifa 2014, e em 2016, a Olimpíada.
Puxa vida, mas ainda estávamos em 2011!
No final das contas ficamos com um
terceiro lugar de saldo
na competição e quem abocanhou o título,
merecidamente, foi a angolana Leila Lopes. Insatisfeitos os adeptos da tal
teoria apregoaram a todos os ventos que
o Brasil ficara em terceiro como prêmio de consolação – sede do evento e o
prejuízo da Band; e a Angolana vencera por falar o idioma Português. Hilário,
não?!
Em 2012, as vozes onipresentes pregavam a ausência
de beleza da Miss Brasil,
mas tinha como principal vetor de sua vitória
ou mera classificação, a tal da Copa da Fifa. Uma falácia sem tamanho. Dona
de um dos mais belos corpos do evento, a
belíssima Gabriela Markus deslizou sobriamente nos palcos de Las Vegas e chegou
ao Top5 – com louvor. Agora sim, estava claro – clamavam eles incrédulos
com o que viam a mordiscar violentamente
as unhas – o título vai para o Brasil, a Capa do Mundo está chegando
(novamente a Copa) e o MUO2 vai emplacar a
brasileira. Novamente o sonho dos
teóricos caíram por terra. Milagrosamente, Olivia Culpo arrebatou o título que por mérito seria de Brasil
ou Austrália. E por que Austrália? Lá
nem tem Copa em 2014. E eu sei lá? Vai ver, na real, ambas, a australiana e
a brasileira foram as melhores.

E em 2013? Agora sim, as vésperas da Copa
do Mundo da FIFA 2014,
não há escapatória. Vai dá Brasil. Inúmeros e mais inúmeros brasileiros (os
poucos que conhecem e acompanham concursos de beleza - não apenas brasileiros,
convenhamos), juravam de pés juntos, ou
seja, até a morte, que a brasileira Jakelyne Oliveira seria O (maior)
Fiasco do Brasil em todos os tempos, na história do Miss Universo. Outros mais ousados levantavam a voz: talvez
ela pegue um Top15, mas só e unicamente
porque ano que vem tem Copa do Mundo da FIFA no Brasil (e novamente a
Copa). Ela (a miss Brasil 2013) nem sabe falar Inglês… e é muito comum. Oh,
cérebros de pouca fé!
Ledo engano!
O fato da jovem, competente e recém-eleita
Miss Brasil 2013 ser belíssima, em momento algum contara pontos a favor da terrinha, nem a favor da
candidata. Fazer o que, se existem
“analistas” que se recusam a admitir o óbvio. Ou então colocam as
preferências pessoais acima de tudo e de todos. No fim das contas o mundo conheceu a brasileirinha-Comum de
apenas 20 anos galgar um dos postos mais altos, no mais prestigiado e visto
concurso de beleza no mundo.
Detalhe,
na Rússia, onde ocorreu o evento se fala…
Russo? E até hoje “eles” não sacaram que o concurso não é unocultural… e sim intercultural, internacional, para não
restar dúvidas.
E agora? Agora, respondemos nós, o que
mais podem fazer além de ficar calados? Há
outras opções, claro, tais como: admitir
a realidade e dar aos beliscões os frágeis membros, ou, numa visão mais radical,
recolherem-se aos respectivos casulos. Em
afã menos provocativo e desafiador, o mais sensato mesmo seria correrem
todos, desvairadamente, atrás de uma
reciclagem – e como lição primária, olhar os fatos com mais prudência, abstendo-se da pessoalidade excessiva.
Não
ousemos esquecer que tais teorias são
latentes também no Miss World. E quando
chegar o Miss Universo 2014, a Copa do
Mundo da FIFA já será pretérito. Qual será a Próxima Teoria?
Os Jogos Olímpicos do Rio que se cuidem…
1 Mundo dos concursos de beleza.
2 Miss Universe Organization.